sexta-feira, 16 de abril de 2010

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Resposta da mãe natureza ao tempo de indignação pelos maltratos.

Só tinha de ser com você


É, só eu sei quanto amor
Eu guardei sem saber que era só pra você
É, só tinha de ser com você
Havia de ser pra você
Se não era mais uma dor
Senão não seria o amor
Aquele que a gente não vê
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você
É, você que é feita de azul
Me deixa morar nesse azul
Me deixa encontrar minha paz
Você que é bonita demais
Se ao menos pudesse saber
Que eu sempre fui só de você
Você sempre foi só de mim

Tom Jobim

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Tentando dormir

Tento dormir sem você
tento não pensar em você
tento, tento, tento 
enquanto tento, penso mais em você!

Mamãe Oxum


Eu vi mamãe oxum na cachoeira
Sentada na beira do rio
Colhendo lírio lirulê
Colhendo lírio lirulá
Colhendo lírio pra enfeitar o seu gongá.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Telefomama

Eu tava triste, tristinha . . .
Eu tava só, sozinha . . .
Mas hoje eu recebí um telefonema
Era minha mãe de Botafogo ou do Alabama

Dizendo: - Filhinha, mamãe vai pra Itália dia 21 e só volta daqui uns 15 dias, sei que é seu aniversário no dia 22, mas não se preocupe, já comprei seu presente. . .minha filha sinta-se feliz porque no mundo tem alguém que diz, que muito te ama! Que tanto te ama . . .

E terminou dizendo: - Você terá de ficar com sua gata durante a minha viagem, são só duas semanas, leva ela pra sua casa, tá bom assim?

Por isso hoje eu tive uma vontade danada de mandar  . . .
De bater na porta do vizinho e desejar "@#$%&*!!!"
De puxar os bigodes do português da padaria . . . (Rio-Lisboa)

Uma vontade danada de mandar todo mundo pra delegacia
Ô Mama...ô mama,ô mama

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Input live

"Faça das decepções mais uma experiência de vida,
e de cada experiência, um motivo para continuar vivendo."

Autor desconhecido

In Choc

Essa noite a chuva alagou o meu jardim

Fez tanto frio que congelou partes quentes em mim.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

SER OU NÃO SER DE NINGUÉM


Na hora de cantar, todo mundo enche o peito nas boates e gandaias, levanta os braços, sorri e dispara:
"... eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também..."

No entanto, passado o efeito da manguaça com energético, e dos beijos descompromissados, os adeptos da geração tribalista se dirigem aos consultórios terapêuticos, ou alugam os ouvidos do amigo mais próximo e reclamam de solidão, ausência de interesse das pessoas, descaso e rejeição.

A maioria não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu. Beijar na boca é bom? Claro que é! Se manter sem compromisso, viver rodeado de amigos em baladas animadíssimas é legal? Evidente que sim.
Mas por que reclamam depois? Será que os grupos tribalistas se esqueceram da velha lição ensinada no colégio, de que toda ação tem uma reação? Agir como tribalista tem conseqüências, boas e ruins, como tudo na vida. Não dá, infelizmente, para ficar somente com a cereja do bolo - beijar de língua, namorar e não ser de ninguém. Para comer a cereja, é preciso comer o bolo todo e, nele, os ingredientes vão além do descompromisso, como: não receber o famoso telefonema no dia seguinte, não saber se está namorando mesmo depois de sair um mês com a mesma pessoa, não se importar se o outro estiver beijando outra, etc, etc, etc.

Embora já saibam namorar, os tribalistas não namoram.
"Ficar" também é coisa do passado. A palavra de ordem hoje é "namorix". A pessoa pode ter um, dois e até três namorix ao mesmo tempo. Dificilmente está apaixonada por seus namorix, mas gosta da companhia do outro e de manter a ilusão de que não está sozinho. Nessa nova modalidade de relacionamento, ninguém pode se queixar de nada. Caso uma das partes se ausente durante uma semana, a outra deve fingir que nada aconteceu, afinal, não estão namorando. Aliás, quando foi que se estabeleceu que namoro é sinônimo de cobrança? A nova geração prega liberdade, mas acaba tendo visões unilaterais. Assim, como só deseja a cereja do bolo tribal, enxerga somente o lado negativo das relações mais sólidas. Desconhece a delícia de assistir a um filme debaixo das cobertas num dia chuvoso comendo pipoca com chocolate quente, o prazer de dormir junto abraçado, roçando os pés sob as cobertas, e a troca de cumplicidade, carinho e amor.

Namorar é algo que vai muito além das cobranças. É cuidar do outro e ser cuidado por ele, é telefonar só para dizer boa noite, ter uma boa companhia para ir ao cinema de mãos dadas, transar por amor, ter alguém para fazer e receber cafuné, um colo para chorar, uma mão para enxugar lágrimas, enfim, é ter alguém para amar. Já dizia o poeta que amar se aprende amando. Assim, podemos aprender a amar nos relacionando. Trocando experiências, afetos, conflitos e sensações. Não precisamos amar sob os conceitos que nos foram passados. Somos livres para optarmos.

E ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém. É ter coragem, ser autêntico e se permitir viver um sentimento... É arriscar, pagar para ver e correr atrás da tão sonhada felicidade. É doar e receber, é estar disponível de alma, para que as surpresas da vida possam aparecer. É compartilhar momentos de alegria e buscar tirar proveito até mesmo das coisas ruins. Ser de todo mundo, não ser de ninguém, é o mesmo que não ter ninguém também... É não ser livre para trocar e crescer... É estar fadado ao fracasso emocional e à tão temida SOLIDÃO... Seres humanos são anjos de uma asa só, para voar têm que se unir ao outro"

Arnaldo Jabor

Ser ou não ser, eis a felicidade!

Vivo, enquanto isso me divirto

Já pensei que era feliz enquanto apenas estava feliz
Hoje já sei a diferença entre estar e ser

Acreditei que momentos de felicidade eram eternos
O tempo, as pernadas, as viagens, os personagens
as malas e os edifícios muito contribuiram

Hoje a minha felicidade é pessoal e intransferível, graças a Deus!

terça-feira, 6 de abril de 2010

Alagados

A esperança não vem do mar
Nem das antenas de TV
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê...

Ilhada, sem poder sair de casa!

Salve Salvador

Quando você chegar . . .
Quando você chegar . . .
Quando você chegar . . .
Numa nova estação, te espero no verão
 
Salve, Salvador
Me bato, me quebro tudo por amor
Eu sou do Pelô
O negro é raça é fruto do amor

Salve, Salvador
Me bato, me quebro tudo por amor
Eu sou do Pelô

Créditos:
D. Iara - A encantadora rainha das águas que nos recebeu
Moraes, Mariana, Rafaela, Marcio, Dindinho, Rob Pêra, Gal, Mazinho, Luciano, D. Zuzu e seus 103 anos, as tantas tias de Mel, o acarajé de Cira e de Tânia, o caranguejo de Cely, o Largo do Rio Vermelho, the house of Yemanjá, o Porto da Barra, o Farol da Barra, a Pituba, a Itapoã, Av. Centenário, ao Mercado Modelo, as putas do Pelourinho, a banda que nos reuniu, a briga que saiu, as fotos extraordinárias, o nextel de Josi, os sonrisais de Alê e aos cigarros compartilhados com Adriana.

SUPER obrigada Mel, valeu!!!

domingo, 4 de abril de 2010

Eu sei, mas não devia.

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.


Marina Colasanti

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
 
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
 
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
 
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
 
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
 
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
 
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
 
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
 
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

sábado, 3 de abril de 2010

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Toda Sexta-Feira (em Salvador)

Toda sexta-feira toda roupa é branca
Toda pele é preta
Todo mundo canta
Todo céu magenta
Toda sexta-feira todo canto é santo
E toda conta
Toda gota
Toda onda
Toda moça
Toda renda
Toda sexta-feira
Todo o mundo é baiano junto

- Adriana Calcanhoto -

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Semana Santa by Acarajé

Daqui a algumas horas em Salvador!
Sou carioca com muito orgulho, mas  . . .
se fosse OBRIGADA a nascer de novo, sem dúvida nenhuma escolheria a Bahia.