sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Qual é o problema?

Ela entrou e me olhou assustada
Eu perguntei: Qual é o problema?
Ela: O problema? Não ter problema!
Não é estranho não ter problema, não fazer terapia,
não reclamar de nada, não viver estressada . . .
Na era de tantos conflitos e leilões de problemas
não ter nenhum é quase frustração, será esse o meu problema?
Sugeri um anuncio: Procura-se problema!
Ela: De que tipo?
Eu: Pessoal, profissional, familiar, amoroso,
espiritual . . .
Como arrumar um problema pode ser difícil
tanto quanto resolver um.
Eu: Vamos tentar um tratamento?
Prometo te ajudar a conseguir o seu
melhor problema, mas vai ter que pagar!

Beijo teu, beijo meu


De baton ou sem baton?
Com chiclete ou sem chiclete?
Me pede, me morde e me obedece
Meu beijo é teu sim
mas só quando te encontro
Será assim se assim quiser
Não faça dele seu patrimônio
Ele é mais meu do que seu
Não quero selar nenhum compromisso
Mas vou te beijar essa noite inteira
Como se hoje o mundo fosse acabar
Enquanto o nosso desejo explode
O resto tudo pode esperar.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Minha Flor meu bebe

Hoje levantei correndo, pra variar atrasada como quem perde o último trem e ainda o avista saindo da estação em câmera lenta. Entrei na cozinha e haviam duas violetas me esperando, elas pareciam ansiosas por me ver, estavam roxa e lilás de pura beleza e, eu que vivo correndo consegui parar diante delas e ouvi-las em meio ao desespero das horas. Incrível, elas eram duas violetinhas mirradas, sem vida, sem graça que moram há quase um ano na janela da cozinha, só vi suas flores quando as comprei e de lá pra cá, elas nunca ficaram bonitas, cheguei a pensar que morreriam. Ta certo que eu dei uma investida, venho doando o pouco do meu tempo para regá-las toda semana, abrir a janela e deixá-las sob a luminosidade da luz solar, mas foi uma surpresa vê-las assim tão cheias de vida, perfumadas, bem vestidas de cores, irradiando beleza e vigor. Tomei um copo d'água, respirei fundo, dei bom dia em silêncio para as duas e pensei: "Não vou correr hoje não, elas deram flor só depois de um ano e até 2 semanas atrás eu nem as percebia, estavam um horror, hoje estão lindas . . . faz parte do processo natural, vou bem devagar, quando a minha primavera chegar será tempo de florescer!"
Já venho na emoção da Primavera, pois lá em casa ela chegou antes do dia 23!

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Mimo demais estraga

Você tem um novo brinquedo
mas sente falta do que não tem
Viver brincando é seu desafio
Conquistar o que é desconhecido
Desbravar pra desencadear novas emoções
Brincar é verbo predileto, desejo é impulso
Bola avante!!!

Quando o brinquedo fica conhecido demais
E não inspira desafio, você não quer brincar mais
Não te encanta o que já tem nas mãos
Ficou banal e sem mistério
Brinquedo gasto perde a graça
Fica viciado e enjoativo
“Quero aquele brinquedo novo da vitrine mamãe!"

Enquanto não chega mais um novo brinquedo
lembra de outro velho que largou na vizinha
Se encanta mais uma vez porque não lembra
De como era brincar com ele
Pensa que pode ser novo outra vez
Ah! Que inveja da vizinha
Vou tomar ele de volta pra mim!

Solidão que nada, tô comigo e não abro!



Escuto tanta gente falar em solidão
De mim escuto o silêncio que anda pela casa
Sozinha ouço mais e presto atenção
Sinto meu coração pulsar lentinho, calmo pelo caminho
Não sinto frio nem calor, temperatura e zona de conforto

Lembro de uma música quando passo pela cozinha
É estranho rir sozinha do que compartilhei
Mas solidão não é estar só
Solidão pode ser a falta de companhia
Mas eu gosto da minha e cuido dela com carinho

A tempestade pode vir e demorar a passar
Cada qual que procure seu abrigo
Corro com pressa pra casa, desejo de me aninhar
Eu to aqui sim, esperando meu coração voltar a acelerar
Mas por enquanto não tem espaço pra outro chegar
nem fazer bater descompassado e desgovernar
as batidas do meu.

Desculpe por não te deixar entrar!

Arvorecrescer



Ando sem pressa de encontrar
Sem pressa de perder ou me buscar
Prefiro recostar à sombra e aguardar
Acredito no tempo de semear

Ontem não me seduz mais
Hoje é calmo como um barquinho a velejar
Amanhã. . . Nem sonho nem planos faço
Penso que amanhã colho o que plantar
Por enquanto cuido da terra
Afofo o quintal pra depois brincar.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Eu vou abrir um bar só de fumantes, não será permitido não fumar!


Esse texto não é meu, ele pertence ao dono, com toda minha admiração! Só não poderia deixá-lo escapar dos olhos de meus leitores e amigos, por isso faço questão de postá-lo. Ah! A foto eu escolhi, essa boca da água na boca, assim como esse cigarrinho . . . http://www.jesusmechicoteia.com.br/

A mão peluda do Estado bolinando os negócios particulares
Corre, pega a estaca!
Todo mundo achando linda essa lei que proíbe o fumo em ambientes fechados. Eu não fumo, então poderia não dar a mínima pro assunto. Mas o caso é que não gosto de ver o Estado se metendo na vida das pessoas. O Estado que cuide do que é público: do que acontece na minha casa, cuido eu. No meu bar. Na minha empresa. Se eu resolver fumar, minha marida vai me mandar fumar na rua. E eu vou acatar, que não sou besta. Esse acordo vale para todos os lugares. Numa empresa:
— O que vocês acham, os funcionários devem fumar dentro da empresa ou não? Não? Então o que acham da gente reservar aquela sacada ali como fumódromo? Legal? Então pronto.
Eu trabalhei numa empresa que ocupava dois prédios de 20 andares. Havia uma área para fumantes no térreo e outra no 16º andar. Os que fumavam (eu fumava, na época) tinham que ir para uma dessas áreas quando queriam pitar um bocadim. No 16º tinha até uma lanchonete onde era permitido fumar — quem não tolerava fumaça podia ir a uma das outras lanchonetes do prédio, ué. Só que a lei do Serra proíbe os fumódromos, claro, e tira das pessoas o direito de decidir se vão tolerar ou não o cigarro, e em que nível.
Se o tabaco não é droga ilícita, então as pessoas devem decidir onde seu uso é tolerado ou não. A nova lei trata as pessoas como débeis mentais, e elas aceitam esse papel de bom grado. E se eu quiser abrir um bar só para fumantes? Por que o dono do bar não pode decidir se é permitido fumar lá no bar dele? Ou se é permitido só numa área? Quem achar ruim, que não vá ao bar dele. Outro dono de bar vai proibir o cigarro. Fumantes que achem outro lugar pra ir dar suas baforadas. Outro vai permitir o fumo totalmente e vender maços de Marlboro a dez reais pra encher o cu de dinheiro. O bar é dele, o cu é dele, o dinheiro também será.
Mas nãaaaaaaaao. O negócio é estimular o dedurismo (tem um 0800 pros dedos de seta), é jogar as pessoas umas contra as outras, é gastar dinheiro público pra fazer propaganda dessa lei tão legal. Tem até uma ampulheta, e eu imagino que começou a juntar gente em volta às onze da noite, tudo de ancinho e tocha na mão pra sair caçando fumante à meia-noite — sendo que há um ser muito mais perigoso à solta. Zé Serra quer proibir coxinha nas escolas, quer proibir quentão em festa junina, quer proibir cigarro nos bares. Daqui a pouco ele proíbe água benta na igreja e todo mundo vai achar bonito.
Aurélio Gois dos Santos 7 de agosto de 2009

Estranho Intimo

Vi um estrangeiro pelos quatro cantos da minha casa
Passeou na minha cama e dentro do meu armário
Foi aos poucos se tornando intimo de tudo
Um intruso afetuoso e misterioso

Não falo sua língua, não lhe conheço, não sei o que quer
Não me importa, gosto da sua companhia

Tenho seus olhos em meus movimentos,
na solidez de mim, nos poucos momentos entre nós
Pode vir, pode chegar, ou você me ganha
ou não vai ficar

Cada pedaço da casa eu te sinto presente
Você existe sem estar
Teu perfume entra com o vento pelas brechas da janela

Todo dia um recado, um bilhete, um scrap
Faz questão de me fazer lembrar,
mas quem disse que eu quero esquecer?

Aquelas flores de papel ainda não rasguei
Não me fazem mal, assim como você
Tua imagem está posta, selada na foto n'algum canto da prateleira
No alto, certamente onde eu não possa alcançar

E você também não possa me ver

Por muitas noites você não me deixou dormir
Agora já chega, me esquece, não me aborrece
Muda e fica mudo só olhando, não fala nada não
Esse momento agora é meu, intimo e particular
Não te permito mais nada, só olhar.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Encontro do mês

Estive na Festa do Zé Pedro e encontrei uma velha, (maneira de dizer, porque mais jovem impossível!) amiga e vizinha de Vila Isabel.
Mart'nália estava em ritmo de festa, já chegou escancarando, espalhando brilho e sorriso pra todo lado, largava alguns beijos também, aliás, essa é sua marca registrada.
Foi nos olharmos e nos reconhecermos, ela tão simples e do povo que pouco se importou em ser celebridade e eu apenas uma antiga vizinha, a neta da dona Edith. Bom, entrei no clima e acabamos bebendo, cantando, dançando e contagiando a galera com os nossos benditos sorrisos em preto e branco! Valeu Marti, valeu por ser Bendita! A gente se esbarra por aí novamente!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Sou do Rio de Janeiro













Meu Rio de Janeiro, minha terra brasilis, meu berço esplendido
Rio de minh'alma, das águas claras, do azul e das aventuras
Do bom dia ao abraço, do por do sol ao posto vivo
Navego e brinco em ondas tuas, que me balançam, me rodopiam,
me acolhe, me-nina
Em teus braços me sinto rainha

Rio de sol, de mar,
Rio de montanha,
de castaca,
cachoeiras e fantasia

O meu Rio, o teu, o nosso Rio lindo de Janeiro a Dezembro
Rio dos estrangeiros, Rio de meninas e meninos
Rio todo meu, onde durmo, acordo e me bonzeio
Sou feliz de ser do Rio, carioca o ano inteiro!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Fantasma

Olha pra mim
não adianta, pois não vais ver nada
Eu sou o vazio das noites desconsertadas
sou o suspiro dos amantes condenados
sou o sorriso do escuro fundo obscuro
Não tenho receios nem medos
sou o fantasma das mansões mau assombradas
sou o transporte das tristezas cansadas
sou o ruído das portas velhas enferrujadas
Não tenho pena nem dó
Olha pra mim!
Não adianta pois não vais ver nada.

Atração

Você tem alguma coisa forte
que atrai todos os meus sentidos
Me perco sempre no teu olhar,
no teu cheiro, na tua alma e na tua cama
Sinto nascer em mim tua mulher
nos confundimos entre pernas,

trocamos as identidade e nos fundimos,
me sinto entrelaçada e gostando de te morder,
Eu te prometi sair, não voltar, correr de você,

basta eu te encontrar pra disfarçar o meu querer
não adianta, minha atração é mais forte e volto pra você.

Metamorfose

A gente morre quando a névoa dos prazeres
não mais nos envolve e seduz.

A morte nunca se fez presente, ela é o triste interior,
o silêncio das alamedas.
É forte como o vento e os raios de um temporal.
A morte pode ser uma alegria pela sua coragem,
uma sedução pela sua incompreensível falta de explicação.
A morte assusta onde encanta e dança feito bailarina
nos corações atormentados.
Ela é mulher da vida e amante dos mortais.
Morte gêmea, companheira, cúmplice de todas as sacanagens.
Sorriso firme e pensamento revolucionário, ninfeta de anjos e arcaicos.
A minha morte, a morte feminina,
sensual como as mulheres de um prostíbulo.
Morte masculina, cheirosa como os homens de essência pura.
Morte dos cravos, das famílias, dos amantes condenados, dos porões e dos fantasmas.
Quero perder o medo e entregar a alma ao delírio, pois se sou de íntimo tudo, de um amor efêmero e berço aventureiro, mereço um mútuo começo do fim.
Quero da morte um espírito brincalhão,
guardado entre nomes e palavrão.
Espírito louco da paixão, efervescente nas multidões
e do gozo um tesão.
Que seja minha morte um motivo justo,
um perigo, um porre no carnaval.
Eu paro a banda! Quero no último suspiro soluçar cerveja e euforia.
Morte minha, morte mãe, mulher, mistério e moradia.

Espero a última mulher da minha vida.
A morte feminina

Encontro casual

Você fala brincando o que sério quero ouvir
e me diz que é você,
eu me entrego ao seu olhar
e as carícias que eu nunca senti
Eu sou uma mulher e você é bem vulgar
eu acho que vou me apaixonar
Mora perto dos meus dias e me convida pra dançar,
no fundo você só quer se aproveitar

Não tenho do teu vício, mas quero teus segredos,
o mistério dos teus olhos e o doce dos teus lábios
Eu quero me deixar levar, vou de encontro ao mar
Evito te encontrar, você evita me encontrar
Evitar é o nosso desejo de encontrar

Escolho querer

Não quero uva nem laranja, pode ser caju
quero todas as frutas, saladas e trufas
Não quero me escolher nem te escolher,
quero o que vier, quero tudo, quero nada
apenas quero e me basta querer
Porque ter de escolher?
O gosto do querer ainda não tem gosto
pode ser de você, pode ser de uva, maçã
ou quem sabe, hortelã
Só não quero perder o prazer de querer.